Dislexia e Desafios na Escrita de Dissertações e Teses
A dislexia é uma condição cognitiva que afeta a leitura e a escrita, sem, contudo, determinar níveis de inteligência. Pessoas com dislexia podem apresentar grande capacidade intelectual, mas enfrentam dificuldades específicas no processamento da língua escrita, o que se torna um desafio particular em contextos acadêmicos exigentes, como a Pós-graduação. É essencial, portanto, não patologizar a condição, reconhecendo que se trata de uma diferença de processamento linguístico e não de uma deficiência que comprometa a competência acadêmica do indivíduo.
Na produção de dissertações e teses, a dislexia pode gerar dificuldades persistentes em aspectos ortográficos, sintáticos e organizacionais do texto. O impacto se torna mais intenso diante da complexidade de tarefas cognitivas como leitura, síntese de informações, interdiscursividade e argumentação. Estudos revelam que pessoas com dislexia podem levar o dobro ou até o triplo do tempo necessário para processar textos acadêmicos, o que aumenta o desgaste cognitivo e a frustração, podendo afetar a autoestima e a produtividade.
Um elemento importante para lidar com essas dificuldades é a comunicação transparente com o orientador. É recomendável informar sobre a condição de maneira clara e objetiva, sem adotar um discurso vitimista. Explicar que o processo de escrita será mais lento e que a forma textual pode não corresponder imediatamente às expectativas normativas permite estabelecer uma relação mais simétrica e reduzir cobranças excessivas, preservando a motivação e a confiança do pós-graduando.
Além disso, é fundamental separar conteúdo e forma durante a produção do texto. Inicialmente, deve-se priorizar o desenvolvimento das ideias, argumentações e citações, deixando a correção ortográfica, sintática e estilística para etapas posteriores. Essa estratégia ajuda a reduzir a ansiedade e evita que o processo de escrita se torne um fator desestimulante.
Estratégias de Produção e Revisão para Disléxicos
A organização prévia do texto é uma estratégia essencial para superar os desafios da dislexia. Construir esboços, sumários, subtítulos e marcadores coloridos permite estruturar o capítulo ou o parágrafo antes da escrita completa, criando um “esqueleto” que guia a produção e facilita a retomada posterior. Essa técnica também favorece a elaboração de argumentos de maneira lógica e coerente, sem exigir que o texto final seja perfeito desde o início.
O envio de textos para Revisão especializada é outro recurso estratégico. Um Revisor de Texto experiente, familiarizado com dislexia, pode corrigir questões ortográficas, sintáticas e estruturais, preservando a voz do autor e reduzindo a sobrecarga cognitiva. É essencial informar o Revisor sobre a condição, permitindo que ele ajuste sua atuação às necessidades específicas do autor.
Além das estratégias de escrita e Revisão, é recomendável que o Pós-graduando adote rotinas de estudo estruturadas, considerando fatores como horários de maior concentração, luminosidade adequada, alimentação e exercícios físicos. O uso de resumos escritos à mão e leituras pausadas contribui para a fixação do conteúdo e facilita o processo de aprendizagem, aproveitando as características cognitivas individuais.
Compartilhar rascunhos com colegas, observar diferentes formas de organização textual e escolher um ambiente de estudo adequado são práticas que potencializam a produtividade e reduzem o impacto da dislexia. Por fim, é importante enfatizar que a condição não impede a produção de textos acadêmicos de qualidade; pelo contrário, com estratégias adaptadas e apoio profissional, é possível escrever de forma eficiente, organizada e consistente, focando na construção do conhecimento e na originalidade do trabalho.